Por Igor Férva // Foto: Divulgação
“Filho de peixe, peixinho é”. Podemos dizer que essa velha máxima se enquadra perfeitamente a Diogo Nogueira. Filho do consagrado sambista João Nogueira, Diogo parece trilhar os mesmos passos do pai. E pelo jeito não sente o fardo de carregar nas costas essa responsabilidade de ser comparado ao seu progenitor, já que desde que começou a sua carreira há cinco anos, ele já se tornou um dos sambistas mais respeitados da sua geração. “As comparações existiram. Ser filho de um grande artista como João Nogueira é, antes de tudo, um orgulho e um privilégio. Sou fã do meu pai e da obra dele, mas nunca tive facilidades por isso. Sempre fiz meu trabalho com sinceridade e honestidade, e isso me dá uma grande base para ir em frente e confiar no meu próprio taco”, diz Diogo.
Em suas apresentações ele demonstra altivez de um veterano. Por ter participado de alguns shows, ao lado de seu pai, na adolescência, dividindo os palcos com os mais consagrados bambas do Rio de Janeiro, isso, talvez, tenha feito dele um cara preparado para o sucesso. Porém, não é só no palco que se destaca, pois há quatro anos ele compõe sambas-enredos para a Portela, e por duas vezes suas composições ganharam a nota máxima pelos jurados do Carnaval carioca.
Mas por pouco nós não perdemos essa jóia rara do samba. Teimoso, Diogo tinha a música apenas como um hobby. Como todo bom carioca apaixonado por futebol, esse flamenguista fanático, de 29 anos, queria mesmo é jogar bola, e até se profissionalizou, mas uma contusão fez com que abandonasse os gramados prematuramente aos 23 anos. “Sempre quis ser jogador de futebol. Quando eu treinava no Cruzeiro de Porto Alegre, em 2004, tive uma lesão no joelho e voltei para o Rio de Janeiro”, conta.
No retorno à cidade maravilhosa, o destino foi tratando de colocá-lo no seu devido lugar; as rodas de samba. “Aos poucos, comecei a participar de rodas de samba, dando canjas, até que montei a minha própria banda. Esse momento foi decisivo na minha vida, pois a partir daí decidi seguir a carreira de cantor e, aos poucos, fui construindo o trabalho que tenho hoje“, relembra ele. E nestes poucos anos de estrada, Diogo já concorreu ao Grammy Latino em 2008, indicado ao prêmio de artista revelação, além disso, já fez uma turnê pelo EUA, passando por Miami, Houston, San Francisco e Newark. Anteriormente ele já havia feito shows em San Diego e Los Angeles.
Obviamente, fã incondicional de samba, Diogo têm entre suas referências, além de seu pai, artistas, como: Monarco, Nelson Sargento, Dona Ivone Lara, Cartola, Nelson Cavaquinho e Candeia. “Chico Buarque é outra referência, além de Paulinho da Viola, Martinho da Vila, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Jorge Aragão, Arlindo Cruz e tantos outros bambas que fazem a história da nossa música popular brasileira.”, completa.
Porém, já dividiu o palco com artistas de outros estilos musicais, como: o violonista Marcel Powell, Marcelo D2, e a roqueira Pitty. Atualmente ele apresenta o Samba na Gamboa, programa de 26 episódios que passa, toda terça-feira as 23h00 na TV Brasil, onde recebe e canta junto com diversos mestres da música brasileira.
Mas entre todas as suas parcerias, tem uma que ele guarda com carinho, e que de certa maneira foi o ponto de partida na vida musical: “Em 2005 fiz uma participação no show comemorativo dos 40 anos de carreira da Beth Carvalho, em pleno Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que foi marcante na minha carreira”.
Com dois álbuns gravados (Diogo Nogueira Ao Vivo, lançado em CD e DVD -2007 e Tô fazendo a minha parte – 2010 – Este último com parcerias com: Chico Buarque, Ivan Lins e Arlindo Cruz), Diogo em julho gravará seu segundo DVD, intitulado Sou Eu, direto do Vivo Rio, no Rio Janeiro. Ainda este ano (2010), uma turnê pela Europa já está programada
Cantor, compositor e apresentador consagrado antes dos 30 anos, podemos dizer que o rapaz saiu dos gramados para ser um verdadeiro camisa 10 na música.