É Proibido Miar - Teatro Cacilda Becker

Uma contribuição da conexaopaulistana para os amigos da Teia:

É Proibido Miar - Teatro Cacilda Becker

O livro infantil É Proibido Miar, do autor Pedro Bandeira, um dos mais premiados autores de livros infantis e juvenis do país, foi adaptado pela primeira vez para o teatro nesta peça que apresenta 07 atores em cena que interpretam, cantam e dançam, num espetáculo divertido e emocionante.

Informações:

De 11 de fevereiro a 04 de março de 2012

Onde: Teatro Cacilda Becker

Endereço: Rua Tito, 295 - Lapa (veja no mapa) | Consulte informações de como chegar no site da SPTrans

Horário: Sábados e domingos, 16h

Bilheteria: De terça a domingo, das 14h às 19h30 | Em dias de espetáculos, a bilheteria funciona até 20 min após o início da sessão

Entrada: R$ 10,00

Classificação: Livre

Mais Informações: Teatro Cacilda Becker

Onde termina o rio

Indicação de leitura do momentodolivro:

ONDE TERMINA O RIO

Uma mulher luta pela vida num leito de hospital, enquanto seu marido envia os papéis do divórcio por um courier. A história, nada romântica, marcou de forma profunda o escritor Charles Martin. Emocionado, ele pensou em todos os homens que ficam, agüentam. Aqueles que seguram uma das mais pesadas barras — a perda gradual de um ente querido. O resultado é ONDE TERMINA O RIO, um romance sobre o amor que transcende as dificuldades mais extremas. 

Doss Michaels nasceu e cresceu num parque de caravanas junto ao rio St. Mary e tenta sobreviver como pintor. Abigail Coleman é a única e lindíssima filha do mais poderoso senador da Carolina do Sul. Um único encontro foi suficiente para perceberem que ficariam juntos para sempre. Casaram-se rapidamente em segredo. O rio, testemunha do amor de ambos, torna-se também um importante personagem. Testemunha de encontros furtivos e sonhos. Mas como o ritmo das águas, que não pode ser apressado, o futuro de ambos corre de forma imprevisível.

Após quatorze anos de casamento, Abbie enfrenta uma doença terminal. Sempre a seu lado, Doss trava com ela uma terrível batalha pela vida. Quando Abbie elabora uma lista de dez coisas que gostaria de fazer antes de morrer, Doss faz tudo para ajudá-la a concretizar os seus desejos. E, antes que seja tarde de mais, partem juntos para a odisséia das suas vidas. Uma última viagem rio abaixo, um antigo sonho da época de noivado, e com eles levam a lista dos últimos desejos de Abbie.

ONDE TERMINA O RIO é um romance envolvente sobre amor e sobrevivência, que reafirma a crença no amor que conquista todas as adversidades. Uma história sobre perda e amor imortal.

Sobre o Autor:

O autor, Charles Martin, licenciou-se em Inglês pela Florida State University, é mestre em Jornalismo e doutorado em Comunicação pela Regent University. Foi professor adjunto do Departamento de Inglês na Hampton University durante um ano e em 1999 deixou uma carreira de empresário para se dedicar inteiramente à escrita.

Título: Onde termina o rio 

Autor: Charles Martin 

Tradutor: Edmo Suassuna Filho 

ISBN: 8501083046 

Gênero: Romance estrangeiro 

Páginas: 448 

Formato: 14 x 21 cm 

Editora: Record

Preço: R$ 44,90

(Source: momentodolivro.blogspot.com)

msantologia:
O ROMANCE BRASILEIRO NA ERA DO MARKETING

A nota, discreta, saiu no “Diário Oficial da União”: desde o último dia 13, uma produtora paulistana está autorizada a captar recursos, via Lei Rouanet, para financiar viagens cujo objetivo é inspirar um grupo de autores a escrever romances.

Em tempos não muito distantes, recorrer ao Ministério da Cultura para financiar um projeto que parecia mais vocacionado para o Ministério do Turismo inflamou tanto os ânimos que o pai da ideia acabou desistindo do pleito e financiou as viagens do próprio bolso.

Era 2007, e o projeto, o Amores Expressos, agitou rancores e protagonizou os dias mais conturbados desde que o meio literário brasileiro descobriu a internet. Um dos questionamentos dizia respeito à legitimidade de uma literatura financiada por fora do esquema tradicional, de contratos de edição, vendas e direitos autorais de livros.

Em outras palavras, quando a feitura de romances se acerta entre escritores, produtoras e ministérios, uma figura pode parecer dispensável ou obsoleta: o leitor.

ISENÇÃO FISCAL

O novo projeto, chamado Redescobrindo o Brasil, sai com alguns pés de vantagem. O aval do governo para captação de R$ 672 mil via isenção fiscal já foi dado. Como prevê a Lei Rouanet, o dinheiro ainda não está garantido, já que antes os produtores precisam angariar o interesse de empresas em investir. Isso até pode ser facilitado pelo fato de as viagens serem dentro do país, e não para o exterior, como era no Amores Expressos.

O Redescobrindo o Brasil é uma espécie de filhote mais modesto do Amores Expressos, embora a comparação não seja do agrado da escritora Adriana Lisboa, uma das idealizadoras da iniciativa.

“Pensei no projeto quando a editora americana Whereabouts me convidou a ter contos no livro ‘Brazil, a Traveler’s Literary Companion’, junto com Clarice Lispector, Dalton Trevisan e outros”, disse a autora à Folha. “Eles fizeram um mapeamento literário organizado por regiões usando os contos. Imaginei que seria interessante algo do gênero com livros inteiros.”

Goste-se ou não da comparação, é inegável que o novo projeto se beneficia da porta aberta pelo projeto de 2007, que tanta dor de cabeça causou ao produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features.

A curadoria é dividida entre Adriana e o ficcionista Luiz Ruffato. Ao todo, a coleção deve ter 14 romances escritos por 14 autores convidados a passar 15 dias em 14 diferentes capitais brasileiras. A ideia é que todos estejam publicados e traduzidos para a Feira de Frankfurt de 2013, quando o Brasil será o país homenageado.

INEDITISMO

Com o Amores Expressos, Teixeira inaugurou um método de produção de livros no Brasil. “De certa maneira, ele pagou o preço do ineditismo”, avalia o ficcionista e jornalista Sérgio Rodrigues. “Era a primeira vez que se fazia um projeto de ativamente produzir livros, com um projeto de marketing mais amplo envolvido.”

Na ocasião, Rodrigues fez críticas ao projeto em seu blog, Todoprosa, hoje no portal da “Veja”. A caixa de comentários do blog virou, como diz Rodrigues, “uma caixa de ressonância de malucos de todo o Brasil, contra e a favor”. “Até agora, o Rodrigo estava correndo meio sozinho nisso. Há certa ousadia, porque é um mercado originalmente de vendas fracas”, diz.

A notícia foi dada pela Ilustrada, em março de 2007, em texto não propriamente crítico, mas sob o provocativo título “Bonde das letras”. Uma semana depois, a Ilustrada voltou ao tema, desta vez buscando classificar as diferentes irregularidades em que o projeto de Teixeira poderia incorrer, incluindo a acusação de configurar “formação de panelinhas”.

A “Veja” publicou reportagem ácida com caricaturas dos participantes, entre os quais estão alguns dos autores mais respeitados do país, como Bernardo Carvalho, Sérgio Sant’Anna e o próprio Ruffato.

O valor orçado para o Amores Expressos era de mais de R$ 1 milhão. Uma solicitação chegou a ser feita ao MinC, mas o pedido foi arquivado sem que Teixeira tivesse dado entrada nos documentos. “Era um direito a que eu tinha, o de tentar, mas preferi desistir.”

FILMES

No fim, tudo ficou em R$ 510 mil, saídos dos bolsos dele e de dois sócios. A estratégia era clara: obter 16 romances que pudessem render filmes —a cessão de direitos cinematográficos fazia parte do contrato. Teixeira diz que, se três dos livros virarem filmes, o projeto “já se paga”: “Nunca foi a ideia fazer 16 filmes. Queria pautar para ver o que resultava disso”.

Cada viagem saiu por volta de R$ 30 mil, incluindo direitos autorais e custos de viagem, com cachê. No Redescobrindo o Brasil, cada livro sairá por R$ 48 mil, aí incluídos os custos de edição, que não estavam contemplados no projeto de Teixeira.

Os romances da série Amores Expressos vêm saindo pela Companhia das Letras, que não é obrigada a publicar todos e se encarrega dos custos editoriais, como faz com qualquer outro de seus livros.

Já no Redescobrindo o Brasil, a ideia é que a editora carioca Casa da Palavra publique todos os romances, segundo Adriana Lisboa. “Estamos levando fé de que os 14 vão escrever livros dignos disso.”

Ela própria não entrou em acordo com a Companhia das Letras e deixou inédito o seu romance do Amores Expressos, ambientado em Paris. O mesmo aconteceu com André de Leones, que lançou pela Rocco o único livro do projeto ambientado no Brasil (São Paulo) —e que está entre os autores do projeto de Adriana e Ruffato.

No Redescobrindo o Brasil, a cláusula audiovisual não está inclusa. “Se os livros despertarem o interesse de cineastas, ótimo”, diz Adriana. A terceira ponta é a agente literária Lúcia Riff, que tem autores agenciados entre os convocados: Beatriz Bracher (Belém), Maria Valéria Rezende (Porto Alegre), Lívia Garcia-Roza (Salvador), João Anzanello Carrascoza (Natal), Flávio Carneiro (São Paulo) e a própria Adriana, que não vai escrever.

CENA

“O importante é movimentar o mercado. Há gente criticando, outros projetos aparecendo. Mesmo que nenhum dos livros fosse uma obra-prima, o Amores Expressos já teria esse mérito”, diz o escritor Ronaldo Bressane, amigo de Rodrigo Teixeira que não entrou em nenhum dos dois projetos.

O Amores Expressos ainda não se pagou. Dois filmes estão em pré-produção: “Cordilheira”, baseado no livro de Daniel Galera (Buenos Aires), tem previsão de ser filmado no fim de 2012, por Carolina Jabor. Outro, que ainda demora, é “O Filho da Mãe”, adaptação do romance de Bernardo Carvalho ambientado em Moscou. Dirigido por Karim Aïnouz, não terá vínculo com dinheiro nacional, diz Teixeira, já que não há personagens brasileiros.

Além disso, o filme baseado no livro de Ruffato (Lisboa) está sendo realizado por uma produtora portuguesa. Segundo Teixeira, há gente interessada no de Chico Mattoso (Havana) e no de Sérgio Sant’Anna (Praga). O de Joca Reiners Terron (Cairo) e o de Lourenço Mutarelli (Nova York) Teixeira diz querer ele mesmo produzir.

EXTERIOR

Criticada no Brasil, a iniciativa foi elogiada no exterior. “Os estrangeiros valorizaram mais. Recebi e-mails de editores e autores enaltecendo a ideia das viagens e o fato de isso ser feito com vista a adaptações cinematográficas”, diz Teixeira.

Segundo ele, isso animou o escritor americano Denis Johnson a vender os direitos de “Ninguém se Mexe” (Companhia das Letras) à RT Features. “Além disso, fechamos parcerias com Scott Rudins, produtor de cinema que investe em livros, e com a McSweeney’s, editora do Dave Eggers.”

O pedido inicial do Redescobrindo o Brasil ao MinC foi de R$ 1 milhão. Como foram aprovados R$ 672 mil, foi preciso pensar em cortes cá e lá. Com isso, da ideia inicial de duas viagens de 15 dias por autor, restou uma. Cada viagem está orçada em R$ 6.000, mais um cachê de R$ 10 mil por escritor.

Se o Amores Expressos foi criticado por focar um tema anacrônico na literatura no século 21, seu correspondente nacional incorre num outro risco —terão os autores coragem de retratar mazelas de locais visitados, tendo em vista que empresas locais patrocinariam os títulos, ou farão relatos para o turismo local gostar?

CRÍTICA

Resta saber se o Amores Expressos produziu boa literatura. Para Sérgio Rodrigues, dos sete livros que saíram até agora, o resultado ficou “um pouco abaixo do investimento e do barulho que se fez”. “Não me parece que tenha saído nenhum grande livro, fora o do Bernardo Carvalho, que faria um grande livro de qualquer jeito.”

O crítico e poeta Alcides Villaça, que leu só o de Ruffato, avalia que “o tema do amor entrou lateralmente. O tema que conta é o do desajuste cultural vivido pelo brasileiro pobre e desenraizado em Lisboa”. O colunista da Folha Manuel da Costa Pinto diz que, “se a coisa da história de amor era uma brincadeira que soava anacrônica, os autores souberam lidar com isso de maneira irônica. Foi uma brincadeira que eles transgrediram.”

O projeto rendeu também uma resposta galhofeira do pernambucano Marcelino Freire, escritor tão agitador cultural quanto avesso à trabalheira que dá inscrever projetos para captação de recursos pelo MinC. Dele nasceu o “projeto” Que Viagem, pelo qual Marcelino mandou autores desconhecidos a lugares “para onde os escritores realmente vão”, como o “Inferno” e a “Casa da Mãe Joana”. Os livros saem pela independente Edith, que Marcelino estreou no ano passado e pela qual lançou seu recente “Amar É Crime”.

PRODUTORA

Se Rodrigo Teixeira queria obter boas histórias para filmar, o que quer a produtora Motirô, do Redescobrindo o Brasil? “É um escritório recente”, diz um dos sócios, Osvaldo Alvarenga, “montado em janeiro e focado em teatro e literatura”.

Entre os trabalhos da casa, estão uma peça inédita de Ferreira Gullar, “O Homem Como Invenção de Si Mesmo” (2009) e uma série chamada “Aqui Nasceu a Literatura Brasileira”, com fotos de Márcia Zoet e textos de Ruffato, sobre as casas onde nasceram e viveram grandes autores brasileiros. Os dois foram aprovados para captação de recursos via Lei Rouanet.

A meta agora é publicar em julho os dois primeiros livros do Redescobrindo —o de Tatiana Salem Levy (São Luís) e o de Flávio Carneiro—, para já serem apresentados a editores internacionais.

A ver se os autores pegam o ritmo. Quando o Amores Expressos foi anunciado, esperava-se que todos os títulos saíssem em quatro anos. Perto do fim do prazo, menos da metade dos livros encomendados chegou às lojas.

RAQUEL COZERDA FOLHÃO DE SÃO PAULO

msantologia:

O ROMANCE BRASILEIRO NA ERA DO MARKETING

A nota, discreta, saiu no “Diário Oficial da União”: desde o último dia 13, uma produtora paulistana está autorizada a captar recursos, via Lei Rouanet, para financiar viagens cujo objetivo é inspirar um grupo de autores a escrever romances.

Em tempos não muito distantes, recorrer ao Ministério da Cultura para financiar um projeto que parecia mais vocacionado para o Ministério do Turismo inflamou tanto os ânimos que o pai da ideia acabou desistindo do pleito e financiou as viagens do próprio bolso.

Era 2007, e o projeto, o Amores Expressos, agitou rancores e protagonizou os dias mais conturbados desde que o meio literário brasileiro descobriu a internet. Um dos questionamentos dizia respeito à legitimidade de uma literatura financiada por fora do esquema tradicional, de contratos de edição, vendas e direitos autorais de livros.

Em outras palavras, quando a feitura de romances se acerta entre escritores, produtoras e ministérios, uma figura pode parecer dispensável ou obsoleta: o leitor.

ISENÇÃO FISCAL

O novo projeto, chamado Redescobrindo o Brasil, sai com alguns pés de vantagem. O aval do governo para captação de R$ 672 mil via isenção fiscal já foi dado. Como prevê a Lei Rouanet, o dinheiro ainda não está garantido, já que antes os produtores precisam angariar o interesse de empresas em investir. Isso até pode ser facilitado pelo fato de as viagens serem dentro do país, e não para o exterior, como era no Amores Expressos.

O Redescobrindo o Brasil é uma espécie de filhote mais modesto do Amores Expressos, embora a comparação não seja do agrado da escritora Adriana Lisboa, uma das idealizadoras da iniciativa.

“Pensei no projeto quando a editora americana Whereabouts me convidou a ter contos no livro ‘Brazil, a Traveler’s Literary Companion’, junto com Clarice Lispector, Dalton Trevisan e outros”, disse a autora à Folha. “Eles fizeram um mapeamento literário organizado por regiões usando os contos. Imaginei que seria interessante algo do gênero com livros inteiros.”

Goste-se ou não da comparação, é inegável que o novo projeto se beneficia da porta aberta pelo projeto de 2007, que tanta dor de cabeça causou ao produtor Rodrigo Teixeira, da RT Features.

A curadoria é dividida entre Adriana e o ficcionista Luiz Ruffato. Ao todo, a coleção deve ter 14 romances escritos por 14 autores convidados a passar 15 dias em 14 diferentes capitais brasileiras. A ideia é que todos estejam publicados e traduzidos para a Feira de Frankfurt de 2013, quando o Brasil será o país homenageado.

INEDITISMO

Com o Amores Expressos, Teixeira inaugurou um método de produção de livros no Brasil. “De certa maneira, ele pagou o preço do ineditismo”, avalia o ficcionista e jornalista Sérgio Rodrigues. “Era a primeira vez que se fazia um projeto de ativamente produzir livros, com um projeto de marketing mais amplo envolvido.”

Na ocasião, Rodrigues fez críticas ao projeto em seu blog, Todoprosa, hoje no portal da “Veja”. A caixa de comentários do blog virou, como diz Rodrigues, “uma caixa de ressonância de malucos de todo o Brasil, contra e a favor”. “Até agora, o Rodrigo estava correndo meio sozinho nisso. Há certa ousadia, porque é um mercado originalmente de vendas fracas”, diz.

A notícia foi dada pela Ilustrada, em março de 2007, em texto não propriamente crítico, mas sob o provocativo título “Bonde das letras”. Uma semana depois, a Ilustrada voltou ao tema, desta vez buscando classificar as diferentes irregularidades em que o projeto de Teixeira poderia incorrer, incluindo a acusação de configurar “formação de panelinhas”.

A “Veja” publicou reportagem ácida com caricaturas dos participantes, entre os quais estão alguns dos autores mais respeitados do país, como Bernardo Carvalho, Sérgio Sant’Anna e o próprio Ruffato.

O valor orçado para o Amores Expressos era de mais de R$ 1 milhão. Uma solicitação chegou a ser feita ao MinC, mas o pedido foi arquivado sem que Teixeira tivesse dado entrada nos documentos. “Era um direito a que eu tinha, o de tentar, mas preferi desistir.”

FILMES

No fim, tudo ficou em R$ 510 mil, saídos dos bolsos dele e de dois sócios. A estratégia era clara: obter 16 romances que pudessem render filmes —a cessão de direitos cinematográficos fazia parte do contrato. Teixeira diz que, se três dos livros virarem filmes, o projeto “já se paga”: “Nunca foi a ideia fazer 16 filmes. Queria pautar para ver o que resultava disso”.

Cada viagem saiu por volta de R$ 30 mil, incluindo direitos autorais e custos de viagem, com cachê. No Redescobrindo o Brasil, cada livro sairá por R$ 48 mil, aí incluídos os custos de edição, que não estavam contemplados no projeto de Teixeira.

Os romances da série Amores Expressos vêm saindo pela Companhia das Letras, que não é obrigada a publicar todos e se encarrega dos custos editoriais, como faz com qualquer outro de seus livros.

Já no Redescobrindo o Brasil, a ideia é que a editora carioca Casa da Palavra publique todos os romances, segundo Adriana Lisboa. “Estamos levando fé de que os 14 vão escrever livros dignos disso.”

Ela própria não entrou em acordo com a Companhia das Letras e deixou inédito o seu romance do Amores Expressos, ambientado em Paris. O mesmo aconteceu com André de Leones, que lançou pela Rocco o único livro do projeto ambientado no Brasil (São Paulo) —e que está entre os autores do projeto de Adriana e Ruffato.

No Redescobrindo o Brasil, a cláusula audiovisual não está inclusa. “Se os livros despertarem o interesse de cineastas, ótimo”, diz Adriana. A terceira ponta é a agente literária Lúcia Riff, que tem autores agenciados entre os convocados: Beatriz Bracher (Belém), Maria Valéria Rezende (Porto Alegre), Lívia Garcia-Roza (Salvador), João Anzanello Carrascoza (Natal), Flávio Carneiro (São Paulo) e a própria Adriana, que não vai escrever.

CENA

“O importante é movimentar o mercado. Há gente criticando, outros projetos aparecendo. Mesmo que nenhum dos livros fosse uma obra-prima, o Amores Expressos já teria esse mérito”, diz o escritor Ronaldo Bressane, amigo de Rodrigo Teixeira que não entrou em nenhum dos dois projetos.

O Amores Expressos ainda não se pagou. Dois filmes estão em pré-produção: “Cordilheira”, baseado no livro de Daniel Galera (Buenos Aires), tem previsão de ser filmado no fim de 2012, por Carolina Jabor. Outro, que ainda demora, é “O Filho da Mãe”, adaptação do romance de Bernardo Carvalho ambientado em Moscou. Dirigido por Karim Aïnouz, não terá vínculo com dinheiro nacional, diz Teixeira, já que não há personagens brasileiros.

Além disso, o filme baseado no livro de Ruffato (Lisboa) está sendo realizado por uma produtora portuguesa. Segundo Teixeira, há gente interessada no de Chico Mattoso (Havana) e no de Sérgio Sant’Anna (Praga). O de Joca Reiners Terron (Cairo) e o de Lourenço Mutarelli (Nova York) Teixeira diz querer ele mesmo produzir.

EXTERIOR

Criticada no Brasil, a iniciativa foi elogiada no exterior. “Os estrangeiros valorizaram mais. Recebi e-mails de editores e autores enaltecendo a ideia das viagens e o fato de isso ser feito com vista a adaptações cinematográficas”, diz Teixeira.

Segundo ele, isso animou o escritor americano Denis Johnson a vender os direitos de “Ninguém se Mexe” (Companhia das Letras) à RT Features. “Além disso, fechamos parcerias com Scott Rudins, produtor de cinema que investe em livros, e com a McSweeney’s, editora do Dave Eggers.”

O pedido inicial do Redescobrindo o Brasil ao MinC foi de R$ 1 milhão. Como foram aprovados R$ 672 mil, foi preciso pensar em cortes cá e lá. Com isso, da ideia inicial de duas viagens de 15 dias por autor, restou uma. Cada viagem está orçada em R$ 6.000, mais um cachê de R$ 10 mil por escritor.

Se o Amores Expressos foi criticado por focar um tema anacrônico na literatura no século 21, seu correspondente nacional incorre num outro risco —terão os autores coragem de retratar mazelas de locais visitados, tendo em vista que empresas locais patrocinariam os títulos, ou farão relatos para o turismo local gostar?

CRÍTICA

Resta saber se o Amores Expressos produziu boa literatura. Para Sérgio Rodrigues, dos sete livros que saíram até agora, o resultado ficou “um pouco abaixo do investimento e do barulho que se fez”. “Não me parece que tenha saído nenhum grande livro, fora o do Bernardo Carvalho, que faria um grande livro de qualquer jeito.”

O crítico e poeta Alcides Villaça, que leu só o de Ruffato, avalia que “o tema do amor entrou lateralmente. O tema que conta é o do desajuste cultural vivido pelo brasileiro pobre e desenraizado em Lisboa”. O colunista da Folha Manuel da Costa Pinto diz que, “se a coisa da história de amor era uma brincadeira que soava anacrônica, os autores souberam lidar com isso de maneira irônica. Foi uma brincadeira que eles transgrediram.”

O projeto rendeu também uma resposta galhofeira do pernambucano Marcelino Freire, escritor tão agitador cultural quanto avesso à trabalheira que dá inscrever projetos para captação de recursos pelo MinC. Dele nasceu o “projeto” Que Viagem, pelo qual Marcelino mandou autores desconhecidos a lugares “para onde os escritores realmente vão”, como o “Inferno” e a “Casa da Mãe Joana”. Os livros saem pela independente Edith, que Marcelino estreou no ano passado e pela qual lançou seu recente “Amar É Crime”.

PRODUTORA

Se Rodrigo Teixeira queria obter boas histórias para filmar, o que quer a produtora Motirô, do Redescobrindo o Brasil? “É um escritório recente”, diz um dos sócios, Osvaldo Alvarenga, “montado em janeiro e focado em teatro e literatura”.

Entre os trabalhos da casa, estão uma peça inédita de Ferreira Gullar, “O Homem Como Invenção de Si Mesmo” (2009) e uma série chamada “Aqui Nasceu a Literatura Brasileira”, com fotos de Márcia Zoet e textos de Ruffato, sobre as casas onde nasceram e viveram grandes autores brasileiros. Os dois foram aprovados para captação de recursos via Lei Rouanet.

A meta agora é publicar em julho os dois primeiros livros do Redescobrindo —o de Tatiana Salem Levy (São Luís) e o de Flávio Carneiro—, para já serem apresentados a editores internacionais.

A ver se os autores pegam o ritmo. Quando o Amores Expressos foi anunciado, esperava-se que todos os títulos saíssem em quatro anos. Perto do fim do prazo, menos da metade dos livros encomendados chegou às lojas.

RAQUEL COZER
DA FOLHÃO DE SÃO PAULO

Uma teoria brasileira para o blues e o hip hop

Por Igor Férva

Com a folkcomunicação, Thífani Postali desvenda um pouco da cultura musical dos negros norte americanos desde o séc XX até os dias atuais.

Capa_Thíf..

Uma obra que une o útil ao agradável. Foi isso que a sorocabana e nossa colaboradora, Thífani Postali, 28, conseguiu ao escrever  Blues e Hip Hop – Uma Perspectiva Folkcomunicacional. Neste livro, essa publicitária, que também é  mestre em comunicação e cultura, conciliou suas duas paixões – Comunicação e música – pois Thífani nas horas vagas canta e toca violão. Na obra de 192 páginas, que tem os selos  da PACO Editorial e da EDUNISO (Editora da Universidade de Sorocaba), a autora utiliza todo o seu conhecimento sobre folkcomunicação ( Teoria de Luiz Beltrão, que estuda a comunicação dos marginalizados ), adquirido em seu mestrado,  para analisar como o blues e o hip hopsurgiram e modificaram o modo dos negros americanos se expressarem e como ganharam força através destes estilos musicais.

IF – Há quanto tempo você faz pesquisas sobre folkcomunicação?

TP – Iniciei os estudos em folkcomunicação há, aproximadamente, três anos.

IF – Como e quando surgiu a ideia de fazer um livro que junta a teoria da folkcomunicação com o hip hop e o blues?

TP - No Mestrado em Comunicação e Cultura eu já estudava o blues e tinha a intenção de juntar a ideia ao hip hop. Foi procurando estudos que me dariam suporte científico que encontrei a folkcomunicação. Então pensei na seguinte ideia: Estudamos tantas teorias de “fora” para entender as manifestações culturais brasileiras,  por que não utilizar a única teoria da comunicação brasileira para entender as “de fora”? Defendi a dissertação em setembro do ano passado e, na semana seguinte, apresentei um artigo na INTERCOM (Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação). Conheci no congresso a professora Dra. Maria Érica de Oliveira, que faz parte da Rede Folkcom. Interessada pelo assunto e conteúdo da pesquisa, incentivou a publicação da obra dizendo sobre a importância das publicações na área. E a ideia se concretizou nesse momento. Até então, eu não tinha a intenção de publicar.

IF – Você sempre gostou de blues e hip hop?

TP - Sempre gostei de blues. Amo o blues! Gosto do rap, mas no viés comunicacional, admiro o seu propósito. Mas não decidi estudar esses gêneros musicais por questão de gosto pessoal. Parti dos estudos da comunicação, para então pensar na proximidade de ambos.

IF – Quanto tempo demorou para escrevê-lo?

TP - Escrevi enquanto estava no mestrado – trata-se de minha dissertação. Contando desde quando comecei a pesquisar, aproximadamente, três anos.

IF – Como você classificaria o seu livro?

TP – Trata-se de um estudo acadêmico que tem como objetivo incentivar e divulgar os estudos na área da folkcomunicação. Também pode ser interessante para músicos e demais amantes da música, pois aborda parte da história social dos afrodescendentes e do surgimento das manifestações. Ou seja, explica os discursos do blues e do hip hop.

IF – Na pesquisa para fazer o livro teve alguma coisa que te surpreendeu mais? O que?

TP - A pesquisa nos leva. Temos uma hipótese, mas ela pode não ser comprovada, essa é a questão. Eu sempre acreditei que o bluespossuía discurso de resistência, crítica social, mas durante um momento não encontrei letras que expressavam isso. Fiquei decepcionada na verdade, pois lia nas referências que era crítico, mas quando ouvia, não encontrava. Foi então que me deparei com uma entrevista de um bluesman chamando Willie King que clareou tudo. Ele dizia que a maioria dos bluesmen cantavam sobre as suas garotas mas, na verdade, estavam falando de seus chefes. Por exemplo “minha garota é tão cruel. Ela me maltrata e acaba ficando com todo o meu dinheiro”. Se trocarmos a palavra garota por chefe, a verdadeira mensagem aparece! Após isso, a minha hipótese voltou a fazer sentido. Creio que esse “achado” foi algo muito significativo para pensar o Blues que, diferente do Rap que explicita as ideias, possuía um discurso camuflado por segurança.

IF – Você sabe me dizer se este é o primeiro livro de folkcomunicação onde os temas abordados não são de origem do folclore e da cultura do Brasil?

TP – Folkcomunicação, segundo Luiz Beltrão, idealizador da teoria, é o estudo da comunicação dos marginalizados. Cabe esclarecer que a palavra marginal não se refere aquele sentido pejorativo, que a relaciona a delinqüência. Existe toda a teoria da Escola de Chicago por trás disso. Marginal é o indivíduo inserido em duas ou mais culturas. O caso dos afro descendentes é um exemplo. Para ilustrar, o próprio blues é a junção da cultura africana e da estadunidense. Então o marginal é uma pessoa que manipula culturas e, em muitos casos, cria outras. Portanto, a folkcomunicação vai muito além do folclore. Agora, quanto a ser uma publicação que estuda uma cultura “de fora”, creio ser a primeira obra tendo as manifestações culturais estadunidenses como objeto de estudo. Artigos apresentados em eventos e coletâneas são possíveis encontrar. Mas publicação de obra, creio ser a primeira.

IF – Pretende escrever outros livros daqui por diante?

TP – (Risos) Vamos ver o resultado deste. Pretendo dar continuidade ao estudo em doutorado, mas não tenho nada confirmado ainda. Quero respirar um pouco. (risos). Também tenho ideias para outras obras sempre relacionando a esse primeiro estudo. Gostaria muito de abordar o assunto em minha cidade, que é Sorocaba,  tendo as manifestações sorocabanas como objeto. Eu adoraria fazer isso, pois Sorocaba possui um material interessantíssimo quando se trata de hip hop.

A poeta e roteirista Leila Miccólis

Por Isabel Furini // Foto: Divulgação

Cronista, ensaísta, poeta, advogada, professora de roteiro de televisão, promotora cultural, editora do Site participativo Blocosonline, roteirista de cinema e escritora de novelas de televisão, entre elas: Kananga do Japão, Barriga de Aluguel e Mandacaru.

Publicou, entre outros, os livros: Em perfeito mau estado, Editora Achiamé, Rio de Janeiro, 1987. Do poder ao poder – alternativas na poesia e no jornalismo nos anos 60, Editora Tchê, Rio Grande do Sul, 1987. O bom filho a casa torra, editoras Edicon e Blocos, São Paulo e Rio, 1992. Achadas e Perdidas e Sangue cenográfico, Editora Blocos, Rio de Janeiro, 1997.

Tem obras publicadas na França, México, Colômbia, África, Estados Unidos e Portugal. 

Desde 2005 ministra cursos de extensão na UFRJ sobre texto teledramatúrgico.

Nossa entrevista consta de dez perguntas. As primeiras cinco perguntas são para Leila Míccolis poeta, considerada da geração poética dos anos 70 e as outras, para Leila Míccolis, roteirista.

Isabel Furini - Quando começou a escrever poemas?

Leila Miccólis - Incentivada por minha mãe, desde os três anos de idade eu já fazia trovas, naturalmente bem simplezinhas, falando do meu gato. Aos dez, comecei a ganhar concursos literários, e a partir daí, não parei mais. A poesia é a minha menina dos olhos.

IF - Quais são seus poetas preferidos?

LM - A minha relação teria muitas páginas. Então, para me restringir apenas à “Geração 70″, meus poetas preferidos do período são: Glauco Mattoso, Paulo Leminski, Nicolas Behr, Alice Ruiz, Ulisses Tavares, Antônio Carlos Lucena (Touchê) e Ana Cristina César.

IF - Você é metódica? Tem horário para escrever?

LM - Sou metódica sim, mas não em relação ao processo criativo. Este surge a qualquer hora, em qualquer lugar: uma palavra, um gesto, um outdoor, um fiapo de conversa são capazes de deflagrar uma idéia, que anoto para trabalhar nela depois.

IF - Os bons poemas têm algumas características, ou seja, quais são os elementos lhe causam maior impressão ao ler um poema?

LM - Gosto principalmente de poemas que me apresentam uma visão diferente de um assunto muitas vezes banal, ou seja, poemas que causam impacto, que me fazem refletir/questionar o mundo, mas com certa ironia ou humor.

IF - Falam que os poetas só têm olhos para a própria obra, você que é co-editora do site literário Blocos Online, acha que os poetas gostam de ler poemas de outros autores?

LM - Há os que gostam e os que não, é sempre perigoso generalizar, quando se trata de gente. De qualquer modo, não havendo ainda a legalização da profissão de escritor, o que falta à grande maioria é a noção de classe – isso é um fato nítido e flagrante.

IF - Pode enumerar algumas características que tornam um roteiro excelente?

LM - Aquele que, além da dosagem certa de emoção, possui uma técnica narrativa que flui como se espontânea fosse. rss…

IF - Nas Oficinas de roteiro que você ministra, encontrou algum aluno com o talento necessário para ser um roteirista profissional?

LM - Sim, vários. Há autores excelentes que ainda não estão contratados – espero que seja apenas uma questão de tempo para que isto aconteça.

IF - Que condições são necessárias para tornar-se roteirista?

LM - Acho que as mesmas de um escritor: persistência, perseverança, vontade de acertar, autocrítica, reescrever quantas vezes for necessário até que a sinopse ou o roteiro lhe pareça perfeito, e, no caso da teledramaturgia, muito jogo de cintura para lidar com os incidentes de percurso dos bastidores, que acabam influindo na narrativa ficcional.

IF - Em sua opinião qual novela da televisão teve ou tem um enredo realmente original?

LM - Eu amava as novelas do Bráulio Pedroso, achava-o simplesmente genial, penso que ele praticamente criou a teledramaturgia brasileira contemporânea com Beto Rockfeller e O Rebu. Atualmente acho Manoel Carlos um grande escritor, e também acompanho algumas novelas do Gilberto Braga, Agnaldo Silva e Alcides Nogueira.

IF - Que conselho daria a um roteirista iniciante?

LM - Nunca desista do seu ideal.