Lançamento do cd "Corda e Vento" no projeto 5a.cústica

No dia 20 de outubro, quinta-feira, acontece nova edição do projeto 5a.cústica com o lançamento do cd “Corda e Vento” do Urubatã. A apresentação tem participação especial do baterista e percussionista Márcio Corrêa e acontece no Depois Bar e Arte, a partir das 21h.

O Urubatã é formado pelos instrumentistas Richard Ferrarini e Evandro Marcolino e surgiu em 2004. A principal característica do duo é a utilização de diversos instrumentos musicais e suas diferentes cores sonoras e a experimentação. Os músicos exploram ao máximo as possibilidades da formação de duo, com peças executadas em sax alto e tenor, flauta transversal, pífano, clarinete, violão, guitarra, baixo, bandolim e instrumentos de percussão.

Entre os shows que o Urubatã realizou, destaca-se a tournê pelo Rio Grande do Sul, em 2005, com shows nas cidades de Caxias do sul, Bento Gonçalves e Carlos Barbosa. Em 2009, gravou seu primeiro cd, “Corda e Vento”, projeto aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura de Sorocaba. O álbum conta com as participações dos músicos Cleber Almeida, Léo Ferrarini e Márcio Corrêa.

Saiba mais sobre o projeto 5a.cústica

Canudo Elétrico se apresenta hoje em São Paulo

Hoje tem show do Canudo Elétrico no Cafofo Paulista às 22h30. O Cafofo Paulista fica na Av. Pompéia, 1969, Perdizes. Venha dançar côco, ciranda, forró, xote e curtir o show de música instrumental brazuca. Confira um pouco desse grupo eletrizante :)

Igor Prado Band caiu na Teia

Por Igor Férva e Lívia Gusmão

É hora de baixar as luzes e criar um clima mais intimista. Chega pra cá que agora o assunto é blues. E para quem acha que falar desse ritmo no Brasil é difícil, não conhece a Igor Prado Band, considerada uma das maiores revelações no gênero e, merecidamente, uma das melhores do país. Além do homônimo deste humilde repórter, Igor Prado, que é vocalista e guitarrista, a banda também conta com Yuri Prado (irmão de Igor) na bateria, Rodrigo Mantovani no contra baixo acústico e Denílson Martins no saxofone barítono.

Essa galera do ABC paulista – mais precisamente São Caetano do Sul- é tão boa, que no ano passado o álbum Brazilian Kicks, feito em parceria com o americano Lynwood Slim, foi o segundo mais tocado numa rádio especializada emblues no EUA. Três anos antes, em 2007, a banda já figurava entre as melhores do “mundo do blues” em eleições promovidas por duas revistas especializadas, a Real Blues e a Blues Matters. Além de Lynwood Slim, a Igor Prado Band já dividiu o palco com outros feras como Steve Guyger, R.J Mischo, Mark Hummel, Phil Guy, entre outros. Por email, Igor Prado, que também é  produtor musical, concedeu uma entrevista à Teia Cultural. Confira como foi o bate papo:

TC – Há quanto tempo estão na estrada?

IP – Já está fazendo quase 11 anos.

TC – Qual foi a sensação de terem um álbum de vocês escolhido como um dos melhores do ano 2007 pelas revistas Real Blues e Blues Matters?

IP - Primeiramente foi uma surpresa. Esse disco foi feito com muito zelo incluindo gravações de 2005, 2006 e 2007, várias participações especiais, saxofone gravado em Los Angeles por um dos mais respeitados músicos da cena de Los Angles, quando saiu o disco e recebemos todos esses prêmios. Foi como uma sensação de dever “mais” que cumprido.

TC – Como você encara o cenário brasileiro para o Blues?

IP - Ah, eu acredito que está crescendo, há alguns anos estava bem pior, mas os festivais estão surgindo o respeito e o intercâmbio com músicos e festivais de fora por artistas brasileiros está crescendo como nunca. Eu vejo um lance positivo na cena atual. Espero que continue nessa crescente.

TC – Sente falta de maior reconhecimento no Brasil?

IP - Eu sinto falta de maior exposição, o reconhecimento a gente tem, mas para termos reconhecimento precisamos ter mais alcance. O que essa geração nova do blues está fazendo é histórico. Estamos dividindo atenções em grandes magazines e da mídia especializada americana, isso já é fato consumado.

TC – Quem são os músicos que mais influenciam a banda?

IP – Putz, são muitos. Impossível descrever tanta coisa e não só do blues, estamos ouvindo muita coisa de rhythm bluesfunk e soul music atualmente, mas claro sempre com o blues tradicional na base de tudo, disso não tem como a gente se distanciar.  Aprendemos a tocar guitarra, baixo e bateria só ouvindo, estudando e tirando esse tipo de música. É impossível não ter a cara blues até quando eu toco “terrivelmente” uma bossa nova (risos).

TC – Nestes anos na estrada, tiveram alguma apresentação que julgam como inesquecível?

IP – Ah teve várias coisas legais, mas uma das mais foi o Doheny Blues Festival, considerado hoje um dos 3 maiores dos EUA, dividimos a noite com Kim Wilson, Robert Cray, The Black Crows e Crosby, Still & Nash. Parecia um sonho.

TC -  Você acha que algum dia o blues voltará ao mainstream?

IP - Acredito que hoje em dia exista um gênero bem definido e enlatado que podemos chamar de “Gênero mainstream“, todas as bandas, soam muito parecidas para aquele tipo de estética de rádio, TV e MTV. Tudo tem a mesma cara, mesmo sendo rock, rhythm blues e  até o rap.

E não é só o blues não, mas as músicas realmente de raiz, citando aqui no Brasil, o choro, o samba de raiz e a bossa nova não voltarão ao mainstream. Essa é minha humilde opinião diante no cenário musical brasileiro e mundial.

TC – No ano passado a álbum de vocês, “Brazilian Kicks”,  chegou a ser o segundo mais tocado numa rádio americana especializada em blues. Certo? Você esperava tamanho sucesso?

IP - Na verdade ele chegou a ser o segundo mais tocado em todo o território americano. A revista Living Blues tem um chart que pega os principais programas de rádio dedicados ao blues de todo o EUA e alguns da Europa também. Pra gente foi a maior surpresa e, com certeza, um dos pontos altos da nossa carreira. Um feito histórico para uma banda de blues da América do Sul.

TC – Já compôs ou já pensou em compor alguma música em português?

IP - Eu já pensei, mas ainda não tenho essa habilidade em compor blues em português. É muito difícil de  passar uma mensagem legal em português dentro dessa estética, mas tem uma galera aqui no Brasil que faz isso muito bem.

TC – Algum músico, ou alguma música, genuinamente, brasileira influencia a banda?

IP – Ah, existem vários, não temos nenhum tipo de preconceito musical, amamos nossa música brasileira. Eu especialmente tenho uma paixão pelo choro , apesar de não tocar nada, porque eu cresci ouvindo meu pai e meu tio tocando choro na sala de casa, então isso é muito forte dentro de mim, mas também enquanto eles não tocavam, meu pai colocava na vitrola, Little Richard, Chuck Berry aí deu no que deu (risos).

TC – Muitos especialistas os consideram uma das maiores revelações blues dos últimos anos. Como encaram este peso e esta responsabilidade?

IP  - Ah, pra gente é uma honra, é o que fazemos desde muito novo, colecionamos álbuns, sempre estamos tentando escutar e absorver tudo dessa linguaguem que é o blues tradicional, tão vasta, extensa e difícil, como um tio meu fala: “Se você quer isso para sua vida, viva essa música intensamente”. A gente tá sempre ouvindo descobrindo e estudando o blues tradicional e absorvendo o máximo o possível com os músicos americanos mais velhos que têm tanta coisa para contar e passar.

TC – Quais os planos para o futuro?

IP - Estamos numa vibe bem rhythm blue & soul atualmente, fazendo esse mix com o Blues. Estou trazendo para o Brasil uma cantora negra de soul chamada Tia Carroll, ela é uma das novas sensações desse meio underground da black music, e também o saxofonista Sax Gordon Beadle outro “monstro” que já tocou e gravou com praticamente toda a velha guarda do blues e rhythm blues. Estamos envolvidos juntos num projeto de um DVD/CD fazendo um tributo aos mestres da soul music erhythm blues.

TC -  Se todos estivessem vivos e você pudesse escolher apenas um para dividir o palco, quem escolheria? Robert Johnson, Muddy Waters ou BB King?

IP – Nossa, pergunta difícil. Mas responderei: RAY CHARLES (risos)!

Uma teoria brasileira para o blues e o hip hop

Por Igor Férva

Com a folkcomunicação, Thífani Postali desvenda um pouco da cultura musical dos negros norte americanos desde o séc XX até os dias atuais.

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Uma obra que une o útil ao agradável. Foi isso que a sorocabana e nossa colaboradora, Thífani Postali, 28, conseguiu ao escrever  Blues e Hip Hop – Uma Perspectiva Folkcomunicacional. Neste livro, essa publicitária, que também é  mestre em comunicação e cultura, conciliou suas duas paixões – Comunicação e música – pois Thífani nas horas vagas canta e toca violão. Na obra de 192 páginas, que tem os selos  da PACO Editorial e da EDUNISO (Editora da Universidade de Sorocaba), a autora utiliza todo o seu conhecimento sobre folkcomunicação ( Teoria de Luiz Beltrão, que estuda a comunicação dos marginalizados ), adquirido em seu mestrado,  para analisar como o blues e o hip hopsurgiram e modificaram o modo dos negros americanos se expressarem e como ganharam força através destes estilos musicais.

IF – Há quanto tempo você faz pesquisas sobre folkcomunicação?

TP – Iniciei os estudos em folkcomunicação há, aproximadamente, três anos.

IF – Como e quando surgiu a ideia de fazer um livro que junta a teoria da folkcomunicação com o hip hop e o blues?

TP - No Mestrado em Comunicação e Cultura eu já estudava o blues e tinha a intenção de juntar a ideia ao hip hop. Foi procurando estudos que me dariam suporte científico que encontrei a folkcomunicação. Então pensei na seguinte ideia: Estudamos tantas teorias de “fora” para entender as manifestações culturais brasileiras,  por que não utilizar a única teoria da comunicação brasileira para entender as “de fora”? Defendi a dissertação em setembro do ano passado e, na semana seguinte, apresentei um artigo na INTERCOM (Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação). Conheci no congresso a professora Dra. Maria Érica de Oliveira, que faz parte da Rede Folkcom. Interessada pelo assunto e conteúdo da pesquisa, incentivou a publicação da obra dizendo sobre a importância das publicações na área. E a ideia se concretizou nesse momento. Até então, eu não tinha a intenção de publicar.

IF – Você sempre gostou de blues e hip hop?

TP - Sempre gostei de blues. Amo o blues! Gosto do rap, mas no viés comunicacional, admiro o seu propósito. Mas não decidi estudar esses gêneros musicais por questão de gosto pessoal. Parti dos estudos da comunicação, para então pensar na proximidade de ambos.

IF – Quanto tempo demorou para escrevê-lo?

TP - Escrevi enquanto estava no mestrado – trata-se de minha dissertação. Contando desde quando comecei a pesquisar, aproximadamente, três anos.

IF – Como você classificaria o seu livro?

TP – Trata-se de um estudo acadêmico que tem como objetivo incentivar e divulgar os estudos na área da folkcomunicação. Também pode ser interessante para músicos e demais amantes da música, pois aborda parte da história social dos afrodescendentes e do surgimento das manifestações. Ou seja, explica os discursos do blues e do hip hop.

IF – Na pesquisa para fazer o livro teve alguma coisa que te surpreendeu mais? O que?

TP - A pesquisa nos leva. Temos uma hipótese, mas ela pode não ser comprovada, essa é a questão. Eu sempre acreditei que o bluespossuía discurso de resistência, crítica social, mas durante um momento não encontrei letras que expressavam isso. Fiquei decepcionada na verdade, pois lia nas referências que era crítico, mas quando ouvia, não encontrava. Foi então que me deparei com uma entrevista de um bluesman chamando Willie King que clareou tudo. Ele dizia que a maioria dos bluesmen cantavam sobre as suas garotas mas, na verdade, estavam falando de seus chefes. Por exemplo “minha garota é tão cruel. Ela me maltrata e acaba ficando com todo o meu dinheiro”. Se trocarmos a palavra garota por chefe, a verdadeira mensagem aparece! Após isso, a minha hipótese voltou a fazer sentido. Creio que esse “achado” foi algo muito significativo para pensar o Blues que, diferente do Rap que explicita as ideias, possuía um discurso camuflado por segurança.

IF – Você sabe me dizer se este é o primeiro livro de folkcomunicação onde os temas abordados não são de origem do folclore e da cultura do Brasil?

TP – Folkcomunicação, segundo Luiz Beltrão, idealizador da teoria, é o estudo da comunicação dos marginalizados. Cabe esclarecer que a palavra marginal não se refere aquele sentido pejorativo, que a relaciona a delinqüência. Existe toda a teoria da Escola de Chicago por trás disso. Marginal é o indivíduo inserido em duas ou mais culturas. O caso dos afro descendentes é um exemplo. Para ilustrar, o próprio blues é a junção da cultura africana e da estadunidense. Então o marginal é uma pessoa que manipula culturas e, em muitos casos, cria outras. Portanto, a folkcomunicação vai muito além do folclore. Agora, quanto a ser uma publicação que estuda uma cultura “de fora”, creio ser a primeira obra tendo as manifestações culturais estadunidenses como objeto de estudo. Artigos apresentados em eventos e coletâneas são possíveis encontrar. Mas publicação de obra, creio ser a primeira.

IF – Pretende escrever outros livros daqui por diante?

TP – (Risos) Vamos ver o resultado deste. Pretendo dar continuidade ao estudo em doutorado, mas não tenho nada confirmado ainda. Quero respirar um pouco. (risos). Também tenho ideias para outras obras sempre relacionando a esse primeiro estudo. Gostaria muito de abordar o assunto em minha cidade, que é Sorocaba,  tendo as manifestações sorocabanas como objeto. Eu adoraria fazer isso, pois Sorocaba possui um material interessantíssimo quando se trata de hip hop.

Teia apresenta Fenícia

Por Igor Férva // Foto: Divulgação

Quatro amigos de Descalvado, cidade do interior de São Paulo, se juntaram e saíram por aí para tentar fazer sucesso no mundo do rock. Está certo que ainda não atingiram omainstream, mas pela qualidade apresentada, já merecem um lugar ao Sol.
Estou falando dos integrantes da bandaFenícia, que são: Ninne Monzani, 23 (vocalista); Mafu Fuzaro, 22 (batera); Teuzinho “Rocks” Feliciano, 26 (guitarrista), e Tiago Pazotto, 27 (baixista). Os três rapazes se conheceram, ainda crianças, numa igreja. Teuzinho e Pazotto ainda tocaram juntos por seis anos em uma banda da cidade. “Eu conheci o Teuzinho em outra banda, posteriormente formando a Fenícia”, completa a vocalista.

O quarteto está na estrada desde 2005, e de lá pra cá, muitas coisas inusitadas aconteceram. Desde um fã, incoveniente, acordando-os às 7 horas da manhã, pra trocar ideia, pedir autógrafo e tirar fotos, até um mal estar geral da banda em cima do palco. “Depois de comer uma pizza, alguns integrantes passaram muito mal, mas muito mesmo. Fizemos um show totalmente debilitados”, conta Ninne. À volta para casa naquele dia também não foi das mais tranquilas, já que banda teve que parar num Pronto Socorro no meio do caminho. “Paramos em Lins para tomar soro. Naquela ocasião, dois não tinham carta, um não enxergava direito. Eu, que até então, nunca tinha dirigido em rodovia, tive que vir guiando 400 km até nossa cidade, parando toda hora pra alguém vomitar. Sem contar que estava a maior chuva na madrugada e ainda faltando 200 km para chegar. Nossos pais tiveram que ir buscar a gente, pois estávamos ainda sem condições físicas e mentais para chegarmos”, completa.

Como a banda tem um nome feminino e a vocalista é uma mulher, muitas pessoas também fazem uma curiosa confusão: “Muita gente acha que eu, Ninne, sou a Fenícia (risos)! É bem engraçado.”

Mas não só de situações bizarras vive a galera da Fenícia, pois eles já tocaram em diversos festivais, em um deles, o Fun Music, dividiram o palco com bandas do porte de Titãs e Nx Zero. Também têm um álbum, homônimo, gravado e já lançaram um clipe, que rola, de vez em quando, na MTV, com a música “14 palavras”.

Em suas apresentações, além de tocarem composições próprias, eles mandam bem fazendo covers.IncubusSystem Of a DownRaimundos, entre outras bandas são frequentemente “homenageadas” pela galera de Descalvado. SeetherRage Against The Machine e até a gospel Oficina G3 também influenciam a banda. Apesar do som pesado que admira a galera do Fenícia, Ninne garante que não gosta de rótulos: “Sempre achamos que o som tinha que soar como Fenícia, sem nos preocuparmos muito com rótulos, a banda tem que estar à vontade e sentir prazer com o som que faz. Definição fica para as revistas especializadas e críticos de música”.

Como toda banda nova, a Fenícia nasceu ligada à internet. Ferramenta que eles utilizam muito bem pra se promoverem, porém sabem os males que a internet causa aos músicos, pois de acordo com a vocalista: “A internet facilita a divulgação do trabalho, o que aumenta a competitividade no sentido de conseguir seu espaço. Porém, a venda de CD diminuiu muito, isso acabou mudando o mercado da música, hoje é muito simples baixar o som e colocar no seu playlist”.

E apesar de expor o problema da venda de CDs, a banda prepara este ano (2011) o seu segundo álbum, sem nome definido ainda, mas com mais pegada que o primeiro: “São 10 musicas próprias e, o som está mais pesado e cru em relação ao primeiro disco”. Um novo clipe também está nas pretensões da Fenícia para 2011. “Mas o maior desejo mesmo é continuar tocando, participando de festivais e produzir mais trabalhos para podermos compartilhar com nossos fãs de hoje e do futuro”, finaliza Ninne.